Primeiramente, é importante lembrar que o câncer colorretal deixou de ser uma preocupação restrita à população acima dos 50 anos.
Casos como os do ator Lúcio Mauro Filho e da cantora Preta Gil, que morreu em 2025 aos 50 anos após enfrentar a doença, colocaram o tema em evidência.
Isso acaba gerando um alerta ao público sobre um movimento que a ciência já vinha observando: o aumento expressivo de diagnósticos entre pessoas mais jovens.
Ao mesmo tempo, exames de rastreamento específicos, como a colonoscopia, ainda não chegam a toda a população brasileira com a mesma facilidade.
Nesse contexto, a tomografia computadorizada tradicional, exame amplamente disponível na rede de saúde, ganha relevância.
Isso porque ele pode se tornar uma ferramenta capaz de identificar sinais da doença, mesmo quando solicitada por outros motivos clínicos.
Câncer colorretal cresce entre pessoas jovens
Durante décadas, o câncer colorretal foi associado principalmente a pacientes acima dos 50 anos.
Esse cenário, no entanto, mudou.
Um estudo publicado em 2024 na revista The Lancet Oncology analisou dados de registros de câncer de 50 países e territórios.
Neste estudo, identificou-se aumento da incidência da doença entre adultos de 25 a 49 anos em mais da metade das regiões avaliadas.
Com crescimento particularmente acentuado em países como Nova Zelândia, Chile e Inglaterra.
Outros levantamentos reforçam essa tendência.
Uma revisão publicada na Nature Reviews Disease Primers estima que, até 2030, o câncer colorretal de início precoce deve representar 11% dos casos de câncer de cólon e 23% dos casos de câncer de reto no mundo.
Ou seja. um salto expressivo em relação às décadas anteriores.
Um estudo com dados americanos também constatou que, por falta de rastreamento voltado a esse grupo etário, pacientes jovens costumam receber o diagnóstico já em estágios mais avançados da doença.
No Brasil, esse movimento também aparece nas projeções do Instituto Nacional de Câncer (INCA).
Para o triênio 2026-2028, a instituição estima um crescimento de quase 30% nos casos anuais de câncer colorretal, ritmo acima da média observada para os demais tipos de tumor no país.
Entre os fatores associados está a combinação de alimentação inadequada, sedentarismo, obesidade e a ausência de um programa nacional estruturado de rastreamento.
Os casos que trouxeram o tema para o centro do debate
Duas histórias recentes ajudaram a colocar o câncer colorretal na conversa pública.
Preta Gil recebeu o diagnóstico em janeiro de 2023, aos 48 anos, e usou sua visibilidade para falar abertamente sobre a doença.
O tratamento e temas como o uso de bolsa de colostomia, até seu falecimento em julho de 2025 foram expostos na mídia.
A trajetória dela reforçou uma mensagem repetida por especialistas: sintomas como sangue nas fezes, alteração no hábito intestinal e dor abdominal persistente não devem ser ignorados, especialmente antes dos 50 anos.
Já o ator Lúcio Mauro Filho relatou, mais recentemente, ter descoberto um câncer no intestino durante uma bateria de exames de rotina, realizada após um quadro de Covid-19.
Segundo ele, a doença foi identificada em um check-up que não tinha esse objetivo inicial.
O relato ilustra bem um ponto importante para a saúde pública: parte relevante dos diagnósticos de câncer colorretal surge de forma incidental.
Ou seja, a partir de exames pedidos por outras razões, e não necessariamente de um rastreamento direcionado à doença.
O desafio do acesso aos exames específicos no Brasil
A colonoscopia continua sendo o exame de referência para diagnóstico e prevenção do câncer colorretal.
Isso porque ele permite a visualização direta do intestino e a remoção de pólipos durante o próprio procedimento.
Entretanto, seu acesso ainda é desigual.
Estudos conduzidos na América Latina mostram que, mesmo em programas estruturados, a adesão ao exame enfrenta barreiras.
Como medo do procedimento, desconforto com o preparo intestinal, falta de recomendação médica e desconhecimento sobre a própria doença.
Uma revisão sobre programas de rastreamento na região latino-americana também apontou que a maioria dos países ainda não conta com iniciativas de rastreamento populacional amplamente estabelecidas.
Isso faz com que grande parte da população dependa de exames solicitados de forma pontual, geralmente após o surgimento de sintomas.
No Brasil, iniciativas pontuais de rastreamento com teste imunoquímico fecal já mostraram viabilidade em grandes centros urbanos, mas ainda estão longe de alcançar toda a população, sobretudo fora dos grandes centros.
Como a tomografia computadorizada tradicional entra nesse cenário
Diante desse cenário de acesso limitado aos exames mais específicos, a tomografia computadorizada convencional, passa a desempenhar um papel complementar relevante.
Diferentemente da colonografia por tomografia, que é um protocolo especialmente desenhado para rastreamento intestinal, a tomografia tradicional costuma ser solicitada por outros motivos.
Como dor abdominal, investigação pós-operatória, acompanhamento de outras doenças ou exames de rotina, semelhante ao caso relatado por Lúcio Mauro Filho.
Uma pesquisa multicêntrica internacional publicada em 2026 avaliou justamente esse potencial.
Pesquisadores desenvolveram um sistema de inteligência artificial capaz de identificar sinais de câncer colorretal em tomografias sem contraste, realizadas por outras indicações clínicas.
Em uma validação com mais de 27 mil pacientes de uso real, em cenários como pronto-socorro, exames de rotina e acompanhamento ambulatorial, a ferramenta atingiu sensibilidade de até 88,2%.
Além disso, conseguiu uma especificidade de até 99,8% para a detecção da doença, além de melhorar a performance diagnóstica dos próprios radiologistas.
Os autores do estudo descrevem esse tipo de achado como rastreamento oportunista.
Ou seja, a possibilidade de identificar a doença a partir de exames que o paciente já realizaria de qualquer forma, sem a necessidade de um preparo intestinal específico.
Além do papel na detecção, a tomografia computadorizada também é amplamente utilizada no estadiamento do câncer colorretal.
Assim, ele acaba ajudando a avaliar a extensão da doença e identificar possíveis metástases, informação essencial para definir o plano de tratamento mais adequado para cada paciente.
Os limites do exame
É importante reforçar que a tomografia computadorizada tradicional não substitui a colonoscopia quando já existe suspeita clínica de câncer colorretal ou histórico familiar da doença.
Pólipos e lesões suspeitas identificados por imagem ainda precisam ser confirmados e, na maioria das vezes, removidos por via endoscópica.
A tomografia funciona, portanto, como uma peça a mais dentro de um cenário de acesso desigual aos exames de rastreamento, e não como um substituto definitivo para quem já tem indicação de investigação específica.
Considerações finais
O aumento da incidência do câncer colorretal entre adultos jovens, evidenciado tanto pelas estatísticas do INCA quanto por casos que ganharam repercussão nacional.
Isso reforça a importância de discutir novas formas de ampliar a detecção precoce da doença no Brasil.
Enquanto o acesso a exames de rastreamento específicos, como a colonoscopia, ainda enfrenta barreiras estruturais e geográficas, a tomografia computadorizada tradicional surge como um recurso já disponível.
Ou seja, na rotina assistencial capaz de contribuir para identificar sinais da doença, seja no estadiamento de casos já suspeitos, seja, cada vez mais, como achado incidental em exames solicitados por outros motivos.
Casos como os de Preta Gil e Lúcio Mauro Filho mostram que o câncer colorretal pode surgir de formas muito diferentes.
Um, o diagnóstico veio a partir de sintomas investigados ainda antes dos 50 anos; no outro, de um exame de rotina sem relação direta com o intestino.
Essa variedade reforça que nenhum exame isolado substitui a atenção aos sinais do próprio corpo, a avaliação médica individualizada e o acompanhamento regular de saúde.
Por fim, a tomografia computadorizada não é a solução definitiva para o rastreamento do câncer colorretal, mas representa uma ferramenta adicional relevante em um cenário no qual o acesso aos exames mais específicos ainda precisa avançar.
A Bild Diagnósticos e o acesso à tomografia computadorizada na região de Campinas
A Bild Diagnósticos realiza tomografia computadorizada em diferentes unidades da região de Campinas, Hortolândia, Indaiatuba e Santa Bárbara d’Oeste, com equipamentos modernos e equipe especializada em diagnóstico por imagem.
Algumas unidades funcionam dentro de hospitais parceiros, mas atendem também pacientes externos, que não precisam estar internados ou em atendimento hospitalar para realizar o exame.
A Bild aceita diferentes convênios, entre eles a Unimed, e busca facilitar o acesso ao diagnóstico por imagem para quem vive nessas cidades.
Diante do aumento de casos de câncer colorretal, sobretudo entre pessoas mais jovens, contar com uma tomografia computadorizada acessível e próxima de casa pode fazer diferença no acompanhamento da saúde.
Consulte a unidade mais próxima e verifique a disponibilidade do exame e o convênio aceito antes de agendar.
Perguntas frequentes
1. A tomografia computadorizada comum consegue detectar câncer colorretal?
Sim, em determinadas situações.
Embora não seja o exame padrão-ouro para rastreamento, a tomografia pode identificar sinais sugestivos da doença, principalmente quando o tumor já apresenta alguma alteração visível na parede intestinal ou nos órgãos ao redor, ou por meio de sistemas de apoio ao diagnóstico cada vez mais estudados pela ciência.
2. Qual a diferença entre a tomografia tradicional e a colonografia por tomografia?
A colonografia é um protocolo específico de rastreamento, que exige preparo intestinal semelhante ao da colonoscopia.
Já os médicos costumam solicitar a tomografia tradicional por outros motivos clínicos e não miram, em geral, o intestino diretamente, ainda que o exame possa revelar achados relevantes
3. Por que o câncer colorretal está aumentando entre pessoas jovens?
A ciência ainda investiga as causas exatas, mas fatores como alimentação rica em ultraprocessados, sedentarismo, obesidade e mudanças no microbioma intestinal aparecem como possíveis influências, associados a uma exposição a hábitos de vida que começa cada vez mais cedo.
4. A tomografia computadorizada substitui a colonoscopia?
Não.
Quando há suspeita clínica de câncer colorretal ou histórico familiar da doença, a colonoscopia continua sendo o exame de referência, já que permite biópsia e remoção de pólipos no mesmo procedimento.
5. A partir de que idade devo me preocupar com sintomas de câncer colorretal?
Sociedades médicas já recomendam iniciar o rastreamento a partir dos 45 anos para a população em geral, mas sintomas como sangue nas fezes, alteração no hábito intestinal e dor abdominal persistente merecem investigação em qualquer idade, independentemente de faixa etária.





